segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Caso Poligâmico

Antes de tudo, eu quero dizer que estou puto. Puto por uma série de coisas que enchem meu saco durante o dia-a-dia das quais se alguém ousa falar a respeito, “Meu Deus! Que pecado! Esse rapaz não é de Jesus.”. Pois é. Meu nome é Henry Pierrot Want’ass ( já viram que qualquer maluquice é mero fruto de minhas origens e, portanto, não me culpem por essa mistura Franco-Britânica!), tenho 34 anos e possuo o que, infelizmente, a justiça considera uma Relação Estável. Mas que merda, ein?!?! Sabes o que quer dizer uma R.E? Queria eu que fosse um simples Retículo Endoplasmático que fizesse jus aos meus ensinamentos médicos, mas não. “Tristeza não tem fim, felicidade sim”, diziam Vinícius, Toquinho e Tom. Relação Estável é aquela em que uma mulher já pode levar metade de tudo, eu disse de TUDO, o que é seu por conta do tempo em que vocês estão juntos – no mínimo 4 anos – se houver um desentendimento e conseqüente separação(caralho! O que é esse intervalo de tempo?!?!? Sim. Bastante coisa, mas determinantes a você perder tanto?). Eu estou puto. Acabo de completar 4 anos com minha merenda.

O assunto do qual eu falava anteriormente, mal visto por algumas pessoas, é simples: a Poligamia. A escrevo com letra maiúscula não por acaso, mas pela grandiosidade que ela compõe, transcreve, transcende... É uma física simples, confundida com uma metafísica complexa. A natureza humana instintivamente nos mostra, nos insinua, nos leva à Poligamia. Ora olhamos um desejo novo, um jeans bacana ou um corte frontal superior de uma camisa legal, ora sentimos o entrelaçar de perfumes, de olhares, de jeitos, em que obviamente temos parcialmente inserção no processo. A monotonia, por outro lado,...(Epa! Perdão.) A monogamia, de forma contrária, nos impede de exercer nossas qualidades inatas, de irmos atrás do que queremos com ambição, assim como fazemos com nossas questões profissionais, mas, dessa vez, com o outro, com nossos cônjuges, sejam passageiros ou... Sempre passageiros.

Minha idéia consiste no seguinte: caso poligâmicos fôssemos, o tempo real em que estivéssemos com cada um(a) de nossos(as) parceiros(as) seria o mesmo para completar-se uma Relação Estável – leia-se: 4 anos - , no entanto, como seriam 2 ou mais parceiros(as) e contando com que ninguém fizesse a enorme besteira de maldade incalculável de unir-se com esses(as) 2 ou mais parceiros(as) ao mesmo tempo, o tempo estimado para que houvesse uma relação estável com ambos ou múltiplos lados seria proporcional ao número de pessoas com quem você se relaciona. Isto é, caso fossem 2, 8 anos, caso fossem 3, 12 anos, e assim por diante... É simples, fácil, prático e, mais do que tudo, lindo (leitor, pare com isso de começar a deixar sua cabeça falar que eu não sou um menino de Jesus... Seja sincero, não seja hipócrita!).

Outro dia, cheguei no supermercado para fazer a compra da semana. Lá, deparei-me com uma moça sobre a qual eu conceituaria como modesta, se é que me entende. Era carrinho pra lá, carrinho pra cá, sabonete, carne, refrigerante... Quando eu estava na seção das bugigangas elétricas, eu a vi segurando em um consolo. Para os menos malandros, tratava-se de um vibrador, daqueles! Não me contive. Abaixei os óculos, olhei para os lados, certifiquei-me de que não havia problema e fui até a senhora conversar. Primeira coisa: eu não fui até a senhora como um possível futuro amante ou algo do tipo, afinal tenho 4 anos com minha anexa, minha relação é estável e, se eu der mole, perco a porra toda! Segunda: ratificando minha experiência, acertei que era uma senhora e, não, uma senhorita pelo fato de ter aproximadamente a minha idade e estar pegando num vibrador. Ou seja, seu marido com certeza já estava na fase da barriga grande, que não comparece e, uma vez ou outra, quando dá umazinha já se encontra no estado do come&dorme. Cheguei, com jeito, olhei uma lanterna, puxei um papo, pedi que não ficasse envergonhada pelo que estava fazendo e lancei minha teoria. Não deu outra! Não houve nem desenrolo, apenas uma explicação teórica e o ar estava impregnado por uma pseudo-sedução por ela não muito bem compreendida. Ela não parava de concordar comigo, de sorrir com minhas palavras, de ajeitar seus cabelos lisos escuros daquele jeito, de falar que estava com calor e essas coisas. Até que o clímax de nossa conversa passageira chegou: ela avançara completamente o sinal, esquecera seu marido, e começara a alisar meu rosto, dando um toque especial às minhas orelhas. Não quis ser rude, muito menos grosseiro, mas a trouxe novamente para o mundo real, dei-lhe palavras consideradas de sabedoria pela sociedade medíocre e falei “em alguns minutos, você volta a ser monogâmica, agora pára de alisar minha orelha”. Eu, ein?! Você acha mesmo que quero perder metade de tudo o que tenho? Jamais.

Felipe Reis

3 comentários:

  1. uhahuahuahuahahuahuahua
    fantástico!!
    esse vai pro livro!

    p.s.: vamos fazer um livro, naquele estilo almanaque da monica, só as melhores?? hahaha

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  2. excelente ideia o livrinho
    eu fecho facil
    ate me motiva mais a escrever, so escrevi um ate agora

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