domingo, 14 de junho de 2009

Sim OU Não

- Ora, diga-me um nome.
- Mulher ou homem?
- Um nome amargo, venenoso...
- Luiza.
- ela te causou tanta dor?!
- Não! Não verdade eu não sei que dor me cabe. Amor bom é aquele que dói. Mas o que adianta se prender a velhas paixões.
- Talvez para saudoso se fazer poemas.
- Vinícius, escrevia poemas enquanto amava, nos seus intervalos de paixão não escrevia nada.
- Mas a maior parte dos poetas eram melancólicos.
Aquela nossa conversa começou a me incomodar. Não queria me lembrar daquele recente desamor.
- E as outras? As que já passaram, doeu tanto?
- Não é a mesma dor. Mas todas machucam, sempre com espinhos nas palavras finais, como se a culpa das suas lágrimas fosse minha, como se fosse eu o mau homem. E não o fim do fogo que ardia.
- Você acha que o amor cresce?
- Não sei, nunca amei uma só. Amo todas, cada uma de uma maneira.
Calamos. Vinho. Petiscos. Risadas.
- Diga um animal.
- Terra ou mar?
- Um animal arisco, venenoso...
- Mulheres?
- Sem gracinhas, sem rancor. Ainda Luiza te atormentando.
- Não, meu caro. Na verdade, ela foi a única que estava no meu coração, mas todas as outras estavam no meu pensamento. Por isso não deu certo.
- Você não disse isso a ela?!
- Pois então, quando eu disse, ela se indignou, disse que eu não sei amar. Na verdade amo demais. E ela sem coração me abandonou. Eu dei meu coração a ela, mas ela se recusou.
- Com razão...e o animal?
- Os baiacus. Os baiacus são ariscos...arredios, intratáveis. Os baiacus são Luiza.
- Que nada! Você não esta vendo a alma deles. Os baiacus têm coração. Ela é assim também.
- E vais me dizer que eu não vejo. Se não vejo é por que certamente não existe.
- Não. Você simplesmente não entende. E não entende, pois se trata de mulher.
- Quem entende?
- Há perguntas que não tem respostas. Uma origem?!
- De novo não.
- Devias ter perguntado: uma origem de quê?

Alice Debret

Um comentário:

  1. "nao entende pois se trata de mulher"

    Incompreensão que dá gosto...

    Esse diálogo tem alguma coisa que me agradou muito. Uma espécie de diálogo onde as falas de verdade estão nas entrelinhas.

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