Não é da natureza humana desejar apenas uma, mas também não é da natureza humana saber dividir.
Eu era o homem mais hipócrita que já havia conhecido, deve admitir que era ridículo da minha parte achar que minha mulher deveria ser só minha enquanto eu era de muitas. Eu não diria que eu tinha muitas mulheres, e sim que muitas me tinham e essa poligamia parecia deixar minha vida menos tediosa. Entretanto eu perdia o sono em pensar que a minha mulher poderia ter outros.
Eu ouvi durante a vida a frase: "o que os olhos não vêem o coração não sente", passei a não acreditar quando ouvi certas coisas.
Acontece que eu não era um homem discreto, e minha mulher sempre descobria as minhas aventuras. No inicio brigava comigo, chegamos a nos separar, mas depois da terapia que ela iniciara tudo voltou como antes, exceto o fato de que ela ignorava os acontecimentos.
Ela ia a sessões de terapia periodicamente, e não perdia uma consulta por nada. Comecei a ficar preocupado com isso e decidi verificar o que acontecia quando ela não estava comigo.
Cheguei a sugerir, antes de uma investigação secreta, que seria legal eu ir fazer uma sessão com ela, mas sem pestanejar ela negou, o que atiçou mais minha curiosidade.
As primeiras vezes que a segui ela não demonstrou nenhum comportamento que atendesse minhas expectativas. Por isso decidi que era coisa da minha cabeça e achei melhor também começar uma terapia.
Fui ao mesmo profissional que ela, mas não disse que era casado com uma de suas clientes. Nas primeiras semanas ele me fazia perguntas do tipo pessoais, o que eu gostava? Qual era meu maior medo? O que eu fazia para superá-lo? Etc.
Comecei a refletir sobre quem eu era, e junto ao profissional descobri que eu não era exatamente um grande louco, ciumento e descontrolado que imaginava. Eu era apenas um humano que tinha curiosidade de experimentar e medo de ficar sozinho.
Em uma sessão ele combinou que levaria umas mulheres para que eu percebesse que esse era também um desejo comum delas, mas elas eram mais repreendidas, e por isso muitas entravam na terapia.
Ansioso para viver essa experiência fui mais cedo ao escritório para ler revistas na sala de espera enquanto verificava as moças que por ali passavam, caso não me agradassem daria tempo de fugir da sessão.
Por ali só passaram moças novas, no máximo 35 anos. E todas possuíam alianças, o que não me preocupava, já que eu também era um cara casado.
Dada a minha hora o médico me pediu que entrasse e me hipnotizou para que relaxasse mais facilmente.
Senti o toque suave de três mãos sobre mim, logo percebi que havia ocorrido uma ereção e que os acontecimentos me deixavam mais leve como se o estado de gozo fosse prolongado. Não percebi como o tempo se passava, nem como se deram as coisas, mas quando me senti acordado do transe estava com minha mulher de um lado e uma outra mais jovem do outro. A minha mulher com uma voz sedutora me disse:"Em alguns minutos você volta a ser monogâmico, agora pára de alisar minha orelha!". Se levantou lânguida e se vestiu. Aquela que se encontrava do outro lado, olhava para teto como quem havia tirado um peso de si.
Voltei para casa sozinho ainda tonto com os acontecimentos. Eu e minha mulher nunca comentamos nada, continuei indo ao terapeuta e ela também. Não perdíamos uma sessão, mas também não comentávamos o que acontecia nelas.
Era melhor não saber, ouvir, ver ou pensar. Eu acreditava no amor dela, ela acreditava no meu. Nós sabíamos o quão humanos éramos.
Laura Martine