“Pois é...”. Será que existe expressão alguma que signifique tanto? Acho que não. “Pois é” para uma concordância, “pois é” para um fato triste, “pois é” para a mudança na ordem de coisas que se sucedem, para uma vicissitude. A quebra na rotina diz mais do que deixar de fazer algo antes feito ou passar a fazer novidades, ela mostra a imprevisibilidade e a surpresa pelas quais as atitudes viris do “eu” podem passar. Tratam-se da aceitação e execução das vontades que o interior de cada um, constantemente, esconde. Etiqueta, postura, modos, exemplo de boa educação – a meu ver, altamente relativo - : não sou contra a criação de tais fatores e/ou invenções que regem a convivência, no entanto desvirtuo o meu pensamento e canalizo meus esforços para a flexibilidade, para a coerência em ser incoerente e para a moderada desordem, fator sem o qual fatos e fenômenos brilhantes e precisamente bem organizados não aconteceriam. – Tem noção, por exemplo, de qual é a ordem de grandeza relacionada às sinapses nervosas que ocorrem em, praticamente, meia dúzia de milissegundos para que haja um simples movimento muscular? Vai dizer-me que a troca de substâncias e componentes entre os milhões de neurônios nesse ‘significativo’ intervalo de tempo é algo considerado organizado? E o resultado? A movimentação não é algo espetacular?!–
Pois é... Aceita ou não, a explosão de sentimentos por uma vida, temporalmente falando, guardada há de acontecer, há de querer acontecer... AHHHHHHHHHH! Pronto, aconteceu. Gritei. Coisa que, há mais de meia hora, queria fazer, mas não podia pelo simples fato de a secretária do lar de minha casa estar presente e, portanto, possivelmente passar a ter medo de minha pessoa. Não me importo se ela me acha maluco, mas é que gosto da amizade dela.
Em se tratando dessas coisas controladas pelo lóbulo pré-frontal do cérebro – leiam-se: emoções -, existe uma estória de um feito pirata que se adequa bem a esse descontrole (ou seria ‘melhor controle’?) em que a explosão de sentimentos se baseia. Nunca é demais alongarmos os pensamentos a mais um ponto, reunindo, portanto, intelectualmente, os diferentes pontos de vista que a vida pode mostrar e aprendendo como é importante o respeito pelo gosto daquilo que é diferente. Dessa forma...
Era um dia de sol, logo depois de uma semana conturbada oriunda da então aparente batalha incessante entre duas linhagens piratas. O navio dos piratas vencedores encontrava-se em festa, farto de comidas, metais preciosos, e com uma parada já marcada às 12:00, no porto de Saint Louis, Inglaterra. A intenção de atracar-se no porto inglês era objetiva: encher a nau de prostitutas para a satisfação geral da tripulação. Após um dia de constante orgia entre a proa e a popa do navio, passando por seu interior e pelos lugares mais inóspitos, o comandante, largando a postura que a ele era conveniente apenas por seu cargo, levantou, apenas de ciroulas, e convidou que não só a tripulação pirata, bem como as madamas que vendiam seus corpos ao sabor da maré, fizessem algo por ele sempre sonhado. Não querendo machucar os animais presentes na embarcação por conta da exorbitante quantidade alimentícia presente, "O capitão olhou para a tripulação do navio e ordenou em alto brado, "Soltem as avestruzes pelo convés! Espalhem a mostarda por todos os canhões já!". Foi então que os brutos rapazes, as moças e o comandante começaram, como se fossem crianças, uma brincadeira que lhes rendera gargalhadas como há anos não era possível. Uns sujavam aos outros. As mulheres não mais se sentiam na obrigação de terminar um trabalho a elas designado, mas sim de aproveitar um momento tão agradável, porém, moralmente, vilipendiado.
“Pois é...” aos preceitos morais. “Pois é” à felicidade sem fim. Será que existe expressão alguma que signifique tanto?
Felipe Reis
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Preceitos de liberdade...Seriam loucura? ou a mais pura sanidade?
ResponderExcluirFica ai, mais uma pras muitas que sempre ficam.
belíssimo texto
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirGostei muito do texto!
ResponderExcluirA construção de idéias foi feita de uma forma belíssima.
adoreeei!
ResponderExcluirmuito muito criativo!
A pergunta fica no ar: médico ou jornalista, jornalista ou médico?
ResponderExcluirUm médico que domina com maestria a escrita?
ResponderExcluir