terça-feira, 12 de maio de 2009

A lenda do Octopus Bones

Fazia tempo que os piratas daquele navio eram conhecidos como os principais responsáveis pelo tráfico de avestruzes entre África e Europa. Suas aventuras eram lendárias e suas histórias eram contadas e recontadas pelos Sete Mares. Muitos achavam que o navio apelidado por seus tripulantes de Octopus Bones era “protegido” por algum tipo de maldição que dava a ele o poder de desaparecer em alto-mar. Aparentemente não havia nenhuma outra explicação que não essa, para explicar porque nenhum navio da Marinha conseguia localizar o Octopus ou sequer traçar sua rota de pirataria.
Nada se conhecia sobre o navio pirata, apenas que seu misterioso capitão se chamava Mothersbaugh Crook .O desconhecimento de qualquer informação sobre a embarcação corsária e as incessantes e frustradas ações do Rei e dos outros membros da Monarquia para capturá-la, começou a irritar o almirante da Companhia Inglesa de Comércio que, a partir de certo momento, começou a passar seus dias montando estratégias e emboscadas; e suas noites sonhando com a gloriosa apreensão do navio e quem sabe, a tortura de seus sombrios tripulantes.
Dizem as más línguas que essa cisma do almirante começou bem antes disso, logo que ele ouviu falar sobre os roubos bem sucedidos do capitão Crook e passou a sofrer de certo “complexo de inferioridade”. Não se pode confirmar essa história, mas é o que o povo diz. E a voz povo...
Não importa. O ponto principal da história é que depois de anos e anos montando uma esquadra e fazendo buscas intermináveis, os marinheiros da Companhia, orientados por seu incansável almirante, avistaram o Octopus bones parado em um porto isolado.Dizem que os piratas pararam para comemorar a venda de uma quantidade enorme de avestruzes, e a pilhagem de um navio de médio porte. A vila onde o navio atracou era bem pequena. O lugar era conhecido por suas noites apimentadas e por suas mulheres desinibidas. Ao que parece, as incontáveis doses de bebidas fizeram com que os famosos corsários esquecessem de zarpar.Porém, um pirata que cochilava no píer, ao lado do navio, ouviu um barulho e percebeu a chegada das embarcações inglesas. Alguns botes do navio do almirante já tinham sido lançados ao mar, e navegavam vagarosamente na tentativa de invadir a embarcação pirata.Os piratas, avisados por seu companheiro, voltaram correndo a seus postos. O capitão de maneira preguiçosa e despreocupada ordenou que ativassem os canhões.
Os botes foram bombardeados e pouquíssimos marinheiros conseguiram escapar. Parte do sucesso se deveu às incomuns balas de canhão.Mesmo quando não atingiam um alvo , soltavam uma espécie de gás espesso que se espalhava pelo ar e cegava momentaneamente todos que estavam por perto.O gás tinha uma cor estranha, um cheiro podre. Especulou-se sobre a possibilidade de ser uma arma mágica, mas o almirante, que assistia o massacre de longe, ficou intrigado. Essa passou a ser a nova causa de sua insônia. Que arma nova era essa? Seria o navio realmente protegido por feitiçaria? Magia negra?Será que era impossível destruí-lo?
Semanas se passaram e o almirante ordenou que a tripulação (reforçada com mais homens) ficasse de “tocaia” no porto esperando a volta do lendário Octopus Bones. A maioria de sua equipe reclamou. Não queriam ficar longe de suas famílias ,nem atender as ordens obsessivas e desequilibradas de seu superior. Sem escolha, acataram.
Um mês de espera até que o retorno dos tão esperados inimigos aconteceu. Os tripulantes da Companhia já fatigados, atacaram o navio por todos os lados.Eram muitos.Mais de 300.O almirante foi junto dessa vez.Precisava entrar naquele navio e finalmente, encarar seu oponente. Entretanto, deixou-se levar pela obsessão e se escondeu para tentar descobrir os segredos do navio pirata. Mothersbaugh Crook era astuto, mas não notou seu inimigo se esgueirando, pois nunca imaginara tamanha covardia.
Percebendo que a derrota não seria tão fácil o capitão olhou para a tripulação do navio e ordenou: “Soltem as avestruzes pelo convés! Espalhem a mostarda pelos canhões já”.
Embora a Marinha desconhecesse esse fato, os próprios piratas treinavam as avestruzes para que fossem vendidas como animais de rinha. Elas cumpriram seu papel e seguiram seu treinamento. Atacaram os marinheiros sem dó.
Os canhões, voltados para os botes ingleses, começaram a lançar suas balas misteriosas. As avestruzes corriam soltas pelo convés, espalhando grande caos entre os combatentes. Assistindo seus comandados morrerem a própria sorte, o almirante arregalou os olhos e se aproximou de um barril a seu lado. Mostarda. Mal podia acreditar no que vira. As palavras de Mothersbaugh ecoavam em sua cabeça. “Espalhem a mostarda”. No mar, corpos de marinheiros, piratas e avestruzes. A batalha havia acabado. Passou o dedo no barril e o levou a boca. “Mostarda”. Genial. “Espalhem a mostarda pelos canhões já!”. O condimento junto com a pólvora formava um gás que cegava os inimigos. O almirante inglês, indiferente ao que se passava, abriu um enorme sorriso de satisfação.Tinha descoberto um dos mistérios do navio inimigo.
Octopus Bones triunfara sobre a Marinha . O mesmo mar que engoliu os destroços da embarcação inglesa, agora guiava o navio pirata ao seu destino desconhecido.
Ninguém sabe o que aconteceu ao enlouquecido almirante. Mas segundo rumores, poucos meses depois se registra a invenção do gás mostarda, em uma cidade portuária da França, por um marinheiro desconhecido, esquelético e maltrapilho.

Maria Clara Senra (com participação de Daniel S.)

4 comentários:

  1. Muito bom, Marie Claire! não achei nem infanto, nem juvenil. E achei que escapou do clichê principal que a frase traria.
    Gostei muito dos nomes... hahhahaha
    Sair um pouco do convencional não é infantil, a meu ver, pelo contrário, é maturidade que poucos conseguem.

    Daniel Fraiha

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  2. Texto muito bom! A imaginação usada na narração encaixa perfeitmente com a frase proposta. Adorei.

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  3. adoreeeei!
    os nomes, o FINAl..tudo!
    depois não venha discutir DOM comigo..¬¬

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  4. Se Piratas do Caribe não tivesse o Johny Deep, ele ficaria no chinelo depois do Mothersbaugh, adoreeei!

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