segunda-feira, 18 de maio de 2009

Esperança

Eu esperava. A esperança sempre brilhou em mim. Faltava-me a paciência. Parada naquela esquina o tempo ia se arrastando, a paciência acabando. Estava sozinha. Para alguns uma opção. Para mim um destino.
Esperava por tanto tempo que já não sabia mais pelo quê. Talvez esperasse um milagre qualquer.
Marco meus encontros ali naquela mesma esquina há um ano. Na esperança de reencontrar o homem que uma vez vi passar. Homem que desejei. Desejei tanto que fiquei olhando esperando que ele me desejasse, quando finalmente ele sorriu para mim não pude esboçar um sorriso. Meu corpo parou, ele apenas me viu boquiaberta, parada, feito estátua com cocô de pombo (feia, branca e suja). Ele não passou novamente. Afinal o que eu pretendia ao vê-lo? Um pedido de casamento? Um novo sorriso, dessa vez retribuído?! O que eu esperava de um completo estranho?
Minha amiga estava atrasada meia hora, eu havia adiantado 15 minutos. Ela sem esperança. Eu esperava demais. Aquela longa espera me levou a observar pela primeira vez o que cercava aquela esquina. No poste havia o aviso: ”Procura-se um amor a primeira vista. Cuidado com o cão.”
Meus olhos se arregalaram. Cão? Aonde? Será feroz? Minha amiga buzinou, corri em direção ao carro cheia de medo. Nem sequer olhei para trás.
Já em casa sozinha é que parei para pensar na primeira frase. Passei dias e horas esperando aquele estranho, mas nada esperava dele se não um sorriso. Enquanto a minha vida estacionava naquela esquina, havia alguém em busca de viver. Eu sempre esperando, aquele estranho procurando. Nunca soube o que exatamente esperava. Mas a vida não iria até mim. Eu deveria ir ao encontro dela. Hoje vivo a procura, ainda não sei de quê. Porém, tenho esperança de encontrar.

Débora Hutz

2 comentários:

  1. à cada esquina a eterna procura? quem sabe...

    "Meu corpo parou, ele apenas me viu boquiaberta, parada, feito estátua com cocô de pombo"

    que cena linda... hahahah
    gostei!

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